Em 1934, ocorrem dois fatos marcantes no Ceará: morre o maior líder religioso da região, Padre Cícero Romão Batista e implanta-se a novidade tecnológica: o Rádio. A pioneira na radiofonia cearense foi a Ceará Rádio Clube, PRE-9. Suas primeiras transmissões foram feitas de maneira rudimentar e improvisada.
No início não haviam profissionais na área, e quem trabalhava na rádio eram amadores de teatro.
Durante os primeiros anos da radiofonia brasileira, o amadorismo foi sua característica. As notícias informadas no rádio, eram réplicas das publicadas nos jornais, tal técnica era conhecida como “gillete Press”.
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| Prédio onde ficavam os transmissores da Ceará Rádio clube. |
No Ceará a primeira partida de futebol foi levado ao ar, em 1938, pela pioneira
PRE-9, quatro anos depois de sua instalação. O locutor e radialista era José Cabral de Araújo, ele
narrou o jogo dos estúdios da emissora, onde se comunicava por linha telefônica com o
repórter Rui Costa Sousa, que falava do Campo do Prado. José Cabral foi o primeiro locutor esportivo do rádio cearense. Ele tinha, em
suas locuções, a peculiar característica de contar anedotas durante as transmissões dos
jogos. As primeiras transmissões de jogos esportivos tinham uma certa particularidade pelo fato de cada locutor fazer as narrações a sua maneira.
A primeira reportagem esportiva sem ser amadora, também foi feita pela Ceará Rádio Clube, e o repórter era Oduvaldo Cozzi. Anos mais tarde, Oduvaldo foi para o Rio de Janeiro e e virou especialista em transmissões esportivas.
A narração esportivo se antecipou a qualquer outro setor do rádio, no que
diz respeito à linguagem e aos avanços tecnológicos. Os locutores se viram forçados a improvisar em suas narrações por causa da expansão do veículo, desse jeito eles desenvolveram técnicas para atrair os ouvintes. Palavras de origem inglesa foram alteradas para o português, a dinâmica veloz e emotivo passou a ser utilizado nas locuções, a criação dos bordões e a brincadeira com as palavras passaram a dinamizar as narrativas de futebol.
A linguagem regional, emotiva e com ênfase, envolve o ouvinte nos lances
da partida como se ele estivesse lá naquele momento com o a ajuda do seu imaginário conduzido
pelo locutor. Este é um momento único que proporciona uma máxima aproximação entre o
narrador e cada um dos seus ouvintes, criando uma identificação entre ambos.